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Esse é o lado ruim de escrever, as pessoas irão te ver como alguém que as pode entender, e muitas vezes, você não irá querer dizer nada além do que está escrito. Eu costumo ser intolerante com quem tenta descarregar o fardo sobre mim. As mesmas histórias me cansam, e as pessoas raramente me acrescentam algo novo. É o mesmo pensamento ilhado sobre o que fazer com o lixo. Devem ter esquecido como se reciclar, não aprendem nunca a transformar seus corações de lata em algo que não polua o mundo. Tenho vontade de gritar nos ouvidos que sou apenas uma pessoa comum em um apartamento super arrumado, que se arrasta sobre os próprios medos. É duro ter que aceitar que a maior parte das pessoas que irão cruzar nossas vidas, serão totalmente previsíveis. Gosto de quem me faz gostar, surpreendendo do jeito que é. Existem aqueles que são como uma tocha que se acende no momento certo, iluminando as nossas vidas e aquecendo as nossas almas. Já outros, inflamam a qualquer momento, tentando se mostrar úteis, e nem percebem que estão fazendo do mundo o seu cinzeiro.

  • Lua Malakian

De um tempinho pra cá, eu percebi que mudei bastante. Sabe quando você para, pensa e percebe que não é aquela mesma pessoa de antes? Que era viciado em certas coisas que hoje em dia você nem liga mais? Que tipo, saiu de dentro da caixinha em que vivia? E que saiu dos seus limites, mesmo sem ter virado a vida de ponta cabeça. É meio complicado, mas pensa assim: Você sempre gostou de azul, sempre foi sua cor favorita, e daí o vermelho do nada começa a chamar muito a sua atenção, só que você é muito apegado ao azul e não quer abrir mão da cor. Então você junta o azul com o vermelho e forma uma cor nova, e quando essa nova cor se forma você acaba percebendo que também gosta do roxo. E é praticamente isso que vem acontecendo na minha vida, tudo que eu fui, sou, vou ser, estou sendo, está tudo se misturando, formando que um “novo velho eu”. Óbvio que no começo eu estranhei essas mudanças, porque geralmente quando você encontra uma mudança em você mesmo, a tendência é estranhar e apontar aquilo como um erro. Mas com o tempo você vai se acostumando, e gostando da ideia de se renovar todo dia. Até porquê essa crise é natural, e indica que você está crescendo. Pense em você mesmo como uma esponjinha, que a cada segundo, dia ou ano vai absorvendo gotinha por gotinha. Seja a gotinha um amigo que você conheceu, um livro que você leu, uma série que mudou a sua vida, uma experiência incrível ou terrível, enfim… Você vai absorvendo tudo isso e somando com o que você já é, e o que você transmite para o mundo é a mistura disso tudo, das experiências que você já viveu com a sua essência, com aquilo que você já era, que estava aí dentro de você o tempo todo. Então essa mudança é inevitável, não adianta você se culpar ou se sentir mal por não ser mais a pessoa que era quando foi dormir ontem, porque algo que aconteceu hoje pode ter lhe alterado um pouquinho, e então você mudou. Quero dizer que está tudo bem em não ser mais a pessoa que você era antes, que não precisa se sentir mal por algo que você não consegue controlar, e nem precisa continuar fazendo velhos hábitos que você nem gosta mais de fazer porque se sente pressionado pela sociedade, por seus amigos ou quem quer que seja. Você não precisa se sentir preso a ser quem era antes, só precisa manter isso e somar com esse novo “você”, simplesmente você. O que importa é manter sua essência e ser honesto com você mesmo. O resto é resto, você pode gostar, deixar de gostar, pode enjoar, pode nunca enjoar. Porque se antes eu gostava de cantar, hoje eu gosto de ouvir. Se ontem eu gostava de ouvir, hoje eu gosto de observar. Se antes eu gostava de observar, hoje eu gosto de sentir. Se ontem eu gostava de sentir, hoje eu já nem me preocupo mais com o que eu gosto. Até porque eu nem sei mais direito quem eu sou hoje, e nem preciso saber. Só sei que sou eu, e isso já é o suficiente… Por enquanto.

Nós estamos tão acostumados com os padrões estéticos e com a ideia de que a sensualidade está relacionada à beleza, que, por sua vez, está relacionada ao corpo perfeito (leia-se magrinho para a maioria das mulheres!), que paramos de nos questionar. Só que isso é uma ideia errada de sensualidade que tem muito mais relação com atitudes, gestos, postura e comportamento do que com a balança. E, com certeza, sensualidade não é meu ponto forte! Sou desajeitada, estabanada, com gestos tresloucados na maior parte do meu dia a dia. Enfim, a prova viva que não basta ser magra para ser sensual, mulherada do meu Brasil, empoderamento feminino passa pela aceitação do seu próprio corpo, pela aceitação do que vê no espelho, pela auto aceitação. Passa por entendermos que somos muito mais que rostinhos bonitos, muito mais do que bundas empinadas, muito mais que “gostosas”. Mudar seu corpo para que os meninos gostem, mudar seu corpo para agradar os outro? Sério, não dá! Se ame, se cuide, se aceite. Mas por você e nada mais. E, vou te dizer uma coisa: se você que está lendo acha que basta emagrecer para tudo na sua vida melhorar, terei que te dar uma notícia péssima: você continuará se sentindo insegura com sua aparência, vários dias se olhará no espelho e sentirá horrível. Porque, muitas vezes, isso vai além da aparência, tendo relação com insegurança, auto aceitação e amor próprio.

Acredito sim que quando nos cuidamos aumentamos nossa autoestima e nossa sensação de bem-estar, e percebemos do quanto somos capazes de nos amar, cuidar e admirar. Acredito em querer mudar seu corpo, melhorar sua saúde por motivos maiores que a busca pela aceitação. Não sou radical do tipo: “ahhh se você quer emagrecer é porque não se ama” ou “se colocou botox porque tem baixa autoestima”. Todas nós estamos sujeitas a não gostar de alguma coisa em nós mesmas e de querer mudar, se amar não significa, necessariamente, não querer mudar. Mas, você tem que saber que você é digna de admiração, respeito e amor independente do seu corpo, é nisso que acredito. E que mudar deve significar evoluir, melhorar, lapidar e não se torturar para conquistar algo em você, em busca de um padrão ideal. O corpo é seu, as regras são suas e a decisão do que mudar e porque mudar também deve ser.

Felicidade, com amor próprio, segurança se relaciona com o fato de você saber quem é, o que quer, onde quer chegar. É saber o que quer mudar na sua vida e mudar por se amar e não por se odiar. E quando vemos essas mulheres, cheias de si, super seguras e lindas, a certeza que nos vem à cabeça é só uma: isso vem de dentro para fora!

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